20 de maio de 2011

Relato de parto - parto do Miguel (2006)

Venho adiando e adiando escrever esse relato, mas não posso deixar de compartilha-lo.
Essa foi minha segunda gravidez, e desde a recuperação do meu primeiro parto prometi para mim mesma que faria de tudo para ter um parto normal.

O meu primeiro parto foi uma cesárea, feita na 39ª semana, sem necessidade já que eu não havia entrado em trabalho de parto. Admito ter ficado um tanto traumatizada com o primeiro parto. Eu estava a 1 semana para a data prevista do parto do Miguel quando senti contrações. Corri para o hospital, chegando lá me disseram que eu estava com 1 dedo de dilatação. Falso alarme, fui para o hospital muito cedo. Essa deveria ter sido a resposta do médico plantonista. Porém, a resposta foi outra: "como você está aqui, vamos internar". E me internaram.

Fui colocada no soro por algum tempo. Foi no soro que sofri mais. As contrações ficaram muito fortes, e praticamente sem intervalos entre elas. Eu me contorcia de dor, tinha vontade de morder a mão do meu marido e arrancar um pedaço. Depois de um tempo no soro com as dores, implorei por algum remédio que pudesse amenizar o que eu sentia. Não sei se desligaram o soro ou se milagrosamente o Buscopan finalmente fez efeito. O fato foi que das 2 horas da manhã até as 4 horas da tarde do dia seguinte eu não senti mais nada. Nenhuma contração, nem mesmo as de Braxton Hicks. Mas continuava internada.

Fiquei horas sem nenhum parecer, ninguém me informava do que eu estava fazendo, ou o que estava esperando. Por volta das 4 horas da tarde uma enfermeira me examinou e disse: "você não está dilatando, não passa dos 4 cm de dilatação." Me disse isso e saiu. Quando alguém voltou, veio com uma maca para me levar para a sala de cirurgia. Mas também sem me dizer nada! Cheguei perdida na sala de cirurgia, ninguém se dirigia a mim, como se eu fosse um boneco ali. Colocaram a sonda na minha bexiga, me anestesiaram e fizeram a cesárea.

Já me culpei muito por não ter questionado, por não ter dito nada, por ter aceitado. Mas no momento eu não estava apta a pensar com clareza, estava num momento onde a ansiedade de ver meu filho, mais a dor, o medo, e uma montanha de sentimentos tomavam conta da situação. Demorei até para entender que aquele bebê que estavam me mostrando era meu!

O pós operatório não foi fácil. Fiquei horas esperando poder mover minhas pernas. Mas antes que pudesse levantar a cabeça passei mal e acabei vomitando na maca. Me limparam superficialmente, e só pude tomar banho no dia seguinte. O primeiro banho foi horrível! O levantar-me pela primeira vez foi penoso. Não consegui ficar ereta para chegar ao chuveiro. Tinha a impressão que cortaram uma pele da altura onde fica o estômago e costurado abaixo do meu umbigo. A sensação era de que se eu esticasse as costas iria romper os pontos. Mesmo assim fui tomar meu primeiro banho... sozinha. Nenhuma enfermeira me ajudou no banho, ou para me secar. O que tinha disponível para mim era uma cadeira de rodas com assento sanitário, assim pude tomar o banho sentada. Porém, a região do meu abdomem estava tão sensível que eu não conseguia deixar a água cair sobre ela. Não deixei sequer um enfermeiro tocar em um exame da cicatriz.

A região do corte ficou sensível por um bom tempo. Mas não foi só isso, a cicatriz ficou muito feia. Não digo isso porque tive quelóide. Se fosse apenas uma quelóide eu teria ficado "contente". O que tenho/tinha é uma cicatriz funda e uma "lombada" de gordura logo acima da cicatriz do corte. Essa gordura não é normal para a região e sempre que coloco uma calça colada dá para se notar o pequeno volume. Isso é algo que me incomoda demais.

Ao lado está a ilustração simplificada da minha cicatriz e do tal calombo que mencionei.

Estava decidida em buscar uma clínica para fazer uma mini-lipo para corrigir essa cicatriz, quando descobri que estava gravida do meu segundo filho.

O relato do meu segundo parto compartilho em breve.

2 comentários:

Laine disse...

Nossa. Vc já tinha me contado, mas lendo pareceu tudo muito pior! Vc tá ficando boa em escrever! rs

Paola Tavares Silva Wortman disse...

querida, primeiro parto, primeiro filho e assim ... muitas vezes por nao entender bem o que se passa a nossa volta e as possiveis consequencias, nos calamos e deixamos que outros decidam por nos. nem todos tem a sorte de encontrar uma equipe medica mais humana, que te explicam tudo e querem que vc participe na hora de tomar a decisao. muitos se acham o dono da verdade e querem impor suas "teorias" medicas sobre os pacientes. olhe, a tecnologia de hoje e muito avancada e na hora certa, com calma, tenho certeza que esta cicatriz sera apenas uma lembranca do passado. sei que incomoda a auto-estima da gente, mas as vezes temos que nos olhar alem da "casca". tenho 3 filhas e algumas "herancas". algumas delas me incomodam, mas se este e for o preco pelas minhas filhas, acredito ter feito um bom negocio.
curta seu bebe, que agora mais experiente, vc decidiu como traze-lo ao mundo e tenho certeza que a recuperacao deste parto esta sendo 1.000 vezes mais facil.
beijos!! e bom resguardo!